Ao longo de todos esses anos, apesar de ainda não termos
conquistado alguns direitos elementares, os avanços
alcançados foram significativos, como se pode ver a
seguir:
PELA
PRESERVAÇÃO DA FINEP
Os
funcionários e AFIN sempre se fizeram presentes todas
as vezes em que a FINEP se viu ameaçada institucionalmente.
Em
25/07/86, a realização do Ato Público
promovido pela AFIN na Av. Rio Branco, com a participação
da COPPE, FIOCRUZ e outras instituições de C&T,
é um marco decisivo na luta dos funcionários
pela preservação da FINEP. Naquela ocasião,
a AFIN elaborou a nota intitulada “EM DEFESA DA CIÊNCIA
E DA TECNOLOGIA NACIONAL”, que foi encaminhada aos diversos
setores da sociedade envolvidos na área de C&T.
Em
21/06/2001, o Deputado Federal Ricardo Berzoini ( PT-SP),
acolhendo uma solicitação da AFIN, fez com que
a Comissão de Finanças e Tributação
da Câmara de Deputados promovesse uma Audiência
Pública, para discutir os últimos anos de gestão
da FINEP, tendo em conta o elevadíssimo nível
de inadimplência e o baixíssimo número
de operações contratadas que a Empresa apresentava.
É digno de registro que uma Audiência Pública
solicitada, e conseguida, por uma associação
de empregados, para discutir a Instituição,
foi um fato inusitado no Congresso Nacional.
A
luta pela preservação do bom nome da FINEP fez
com que, inclusive, os membros do Colegiado da AFIN emprestassem
seus nomes em casos de denúncias de associados sobre
o mau uso do dinheiro público e de assédios
morais que resultaram em algumas ações judiciais,
sempre buscando a defesa da instituição e dos
seus empregados.
ACORDO COLETIVO DE TRABALHO
Enquanto inúmeras instituições públicas
celebravam, a partir de 1985 com o advento da “Nova
República”, acordos coletivos de trabalho (BNDES,
CNPq, Banco Central etc), a Diretoria da FINEP negava-se a
reconhecer direitos dos funcionários e não admitia
a existência de Acordos de Trabalho.
Em
1989 aconteceu o Primeiro Acordo Coletivo de Trabalho na FINEP
e a sua assinatura ocorreu na Assembléia Geral Extraordinária
realizada no 25º andar do Clube de Engenharia, com a
presença do então Presidente da FINEP, Dr. João
Luiz Coutinho de Faria, do então Presidente da AFIN,
Sérgio Murilo Calzavara Alves e do Dr. Henrique Maués,
advogado dos funcionários.
O
Acordo, aprovado através da RES/DIR/190/89 de 03/07/89,
garante ESTABILIDADE para os empregados da FINEP, evitando
as demissões arbitrárias sem justa causa, além
de assegurar alguns benefícios sociais para todos (auxílio
doença, auxílio acidente de trabalho e outros),
evitando as concessões, até então, realizadas
de forma casuística por parte da direção
da empresa.
REINTEGRAÇÃO DOS DEMITIDOS
Foi e continua sendo uma luta constante da Diretoria da AFIN
ao longo desses anos.
Antes do Acordo Coletivo de Trabalho, celebrado em 1989, a
luta era mais política e de mobilização,
sendo dificultada pela falta de amparo legal. Mesmo assim,
algumas demissões foram revertidas, graças à
atuação firme da AFIN e dos funcionários.
Após
a assinatura do Acordo, a cláusula da ESTABILIDADE
ajudou a Associação a empreender, através
do advogado trabalhista da AFIN Dr. Henrique Maués,
a luta pela reintegração de todos os colegas
arbitrariamente demitidos, principalmente no governo Collor.
SALÁRIOS
Embora os salários atuais ainda estejam defasados em
relação às perdas ocorridas ao longo
dos últimos anos, a nossa situação estaria
muito pior se não tivéssemos obtido algumas
vitórias relevantes ao longo desses anos, como:
-
Oportunidade de enquadramento para todos no PCS, com critérios
definidos de comum acordo com os empregados, através
da CCS em 01/12/88;
- Nova Tabela Salarial de 01/12/89, dentro da luta pela Equiparação
com o CNPq;
- Nova Tabela Salarial de 08/02/93, com o estabelecimento
do ATPS;
- Reenquadramento funcional de grande parte dos empregados
integrantes do PCS e PCR, tanto os antigos como os colegas
que foram contratados a partir de 2001.
AÇÕES
TRABALHISTAS
No
início poucos se “arriscavam” a ingressar
com a ações na Justiça do Trabalho para
recuperar os direitos que lhes haviam sido ilegalmente retirados.
Entretanto hoje em dia, a maioria dos funcionários
está engajada nesses processos através do escritório
de nosso advogado trabalhista.
Embora
a luta seja árdua e a empresa continue se utilizando
de inúmeros artifícios jurídicos para
postergar as execuções determinadas pela Justiça,
vários grupos de funcionários já ganharam
algumas ações, como os da URP e, particularmente,
os da ação pela jornada de trabalho de 6 horas.
DEMOCRACIA
Por
acreditar e lutar por democracia, dentro e fora da FINEP,
essa é praticada na própria Associação
e na sua relação com os associados. Assim, sempre
são realizadas assembléias amplas e abertas
a todos os que aqui trabalham, bem como os associados são
consultados através de plebiscitos e pesquisas de opinião
elaborados pela AFIN, mantendo a transparência com notas
e comunicados nos nossos murais e correios eletrônicos.
OUTROS FATOS RELEVANTES
*Implantação do Horário flexível,
como resultado da ação da AFIN, através
do Dr. Henrique Maués, na busca da solução
legal para a implantação desta facilidade para
todos os funcionários;
*Acordo
entre a Direção da FINEP e a Diretoria da AFIN,
aprovado pela RES/DIR/025/93 de 08/02/93, introduzindo o ATPS,
com ganhos reais significativos para todos;
*Luta
pelos direitos humanos, com anulações de demissões
e punições arbitrárias, à época
em que não tínhamos conquistado a Estabilidade,
através do apoio, inclusive, de personalidades como
a do jurista Sobral Pinto, do jornalista Barbosa Lima Sobrinho,
entre outros;
*5
dias de repouso/ano obtidos através da RES/DIR/005/89
*Pagamento
indevido de horas-extras que não foram efetivamente
prestadas à FINEP. A AFIN solicitou a instauração
imediata de Inquérito, administrativo com a participação
de representante dos funcionários como observador e
os resultados geraram contribuição para o relatório
de auditoria da AGU/TCU, que acabou por apurar as responsabilidades
e cobrar dos responsáveis a devolução
corrigida dos valores recebidos ilegalmente e, assim, defendendo
mais uma vez o bom nome da Finep e de seus empregados perante
à sociedade;
*ONG's
do caso Sanguessugas que receberam financiamentos de maneira
irregular e ilegal. A posição clara e firme
da AFIN, que apesar de não ter havido abertura de inquérito
solicitado, contribuiu decisivamente para a apuração
parcial das irregularidades cometidas, no caso, financiamento
da Finep à ONG's não idôneas no programa
de Inclusão Digital.
*A
AFIN promoveu eleição direta para escolher os
representantes dos empregados (um titular e um suplente) para
integrar o Conselho Consultivo da Finep, abrindo mão
de sua prerrogativa, segundo as normas, de fazer essa indicação
sem eleição, mas por simples indicação
da Diretoria da AFIN, demonstrando coerência entre o
que prega e o que diz;
*A
luta pela profissionalização da Finep, preservação
da ocupação dos cargos técnicos da Empresa
por quadros próprios, estudo para a redução
da quantidade de cargos comissionados de funções
gratificadas;
CONSIDERAÇÕES
FINAIS
A grande lição obtida nesses anos de empenho
por melhores condições de trabalho e vida é
que vale a pena lutar por nossos direitos trabalhistas e de
cidadania e, é claro, pelo bom nome desta Empresa Pública
que nos orgulhamos tanto em servir,. Vale a pena cultivar
a unidade do movimento dos funcionários. Vale a pena
a busca pela solidariedade do corpo funcional da FINEP, sempre
por ideais elevados. Basta imaginarmos como seria trabalhar
na FINEP se não houvesse a AFIN, para termos noção
do quanto valeu a pena todos esses anos de luta.
Se,
hoje a situação não é das melhores,
como de resto na sociedade brasileira para a grande maioria,
e se hoje ainda temos muitas dificuldades a superar, de uma
coisa não podemos ter dúvidas: seria muito pior
se não tivéssemos conseguido atingir a solidariedade
e o grau de consciência e organização
que alcançamos.