AFIN Debates C,T&I

  • “É preciso tirar as empresas da zona de conforto e ir para a inovação” 14/julho/2020

    Para pensar e articular o papel da Inovação e a recuperação da Indústria na retomada da economia ao fim dessa pandemia, a Associação dos Empregados da Finep – AFIN, promoveu o segundo encontro online do Ciclo AFIN Debates C,T&I, na quinta-feira, dia 02 de julho de 2020, com o tema “Inovação e a Recuperação da Indústria Brasileira pós Pandemia” com a participação de Gianna Sagazio – Diretora de Inovação da CNI / MEI e Luiz Davidovich – Presidente da ABC, e a mediação de Celso Pansera – Ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    A queda da produção da Indústria Brasileira foi de 18,8% no mês de abril em comparação com março, e de 27,2% na comparação com abril do ano passado, recorde negativo da série histórica da pesquisa do IBGE divulgada em 3 de junho. Esses números mostram a força do impacto da pandemia de Covid 19 e do isolamento social sobre a economia, que vinha em lenta recuperação de uma crise anterior.

    O colega Edgard Rocca, do colegiado da AFIN, apresentou a questão, destacando o relevante papel da inovação para o desenvolvimento, da indústria como centro deste movimento e a importância dos financiamentos da Finep às empresas inovadoras. Atualmente o Brasil investe  1,26% do PIB em Pesquisa e Desenvolvimento, e menos da metade deste investimento vem do setor privado. Em 2019, no Índice Global de Inovação (IGI) o Brasil ocupa a posição 66ª entre 129 países. Edgard lembrou o papel do Estado, a relevância da C&T e a importância do desenvolvimento para a redução das desigualdades.

    “É preciso aumentar a capacidade de pesquisa pública e privada”

    Luiz Davidovich falou da queda da exportação de produtos industrializados, lembrando que em 2019 a participação da indústria no PIB do Brasil chegou a 11%, um registro claro da desindustrialização recente. Um indicador importante é a pequena participação das empresas privadas no registro de patentes, sendo que as universidades fazem muito mais registros que as empresas.

    O que fazer? Davidovich nos diz que “é preciso aumentar a capacidade de pesquisa pública e privada”, com diversas ações:

    • Plano Estratégico
    • Encomendas governamentais
    • Educação básica de qualidade, com Ciência no Ensino Fundamental
    • Recuperação das Universidades

    Ele destaca o caráter universal das universidades que, como o nome diz, deve ter de tudo: “universidades com vocação tecnológica como o Caltech e o MIT tem importantes departamentos de Sociologia e Filosofia”.

    O palestrante citou exemplos de bom uso da Ciência e Tecnologia para o desenvolvimento, como a proteção da Amazônia por meio da exploração racional em indústrias como a do Açaí, que emprega mais de 300 mil pessoas: “a riqueza está aí. É preciso ciência e tecnologia para extrair”, o que nos leva a questão dos recursos minguantes para pesquisa. Ele concluiu criticando o contingenciamento: “Liberem o FNDCT”.

    “Uma Política Nacional de Inovação é fundamental”

    Gianna Sagazio também falou da queda sem precedentes da indústria e das ações do MEI – Mobilização Empresarial para Inovação, que a 13 anos atua em várias frentes, junto a empresas e ao Congresso: pelo não contingenciamento do FNDCT, com propostas para a Política de Inovação, rumo a uma Indústria 4.0, digitalizada, conectada e inteligente.

    Esta atuação se dá por exemplo no Congresso Brasileiro de Inovação da Indústria, evento que em 2019 teve mais de 3.500 participantes, e do Prêmio Nacional de Inovação. O Grupo de Trabalho das Engenharias/STEAM participou da elaboração de currículos na área, e agora estimula a implantação do novo currículo.

    Já o MEI Tools: ferramentas para promover a inovação nas empresas tem um papel fundamental para fortalecer o atual sistema nacional de financiamento e suporte técnico à inovação, sempre atualizado para ampliar sua utilização: “o desafio leva ao desenvolvimento, é preciso tirar as empresas da zona de conforto e ir para a inovação. Uma Política Nacional de Inovação é fundamental”.

    AFIN Debates C,T&I

    Inovação e a Recuperação da Indústria Brasileira pós Pandemia

    Gianna Sagazio – Diretora de Inovação da CNI / MEI

    Mestre em Desenvolvimento Econômico, pela Universidade Católica de Brasília trabalhou por mais de vinte anos nas Nações Unidas com temas relacionados ao Desenvolvimento Econômico, além de outras experiências relevantes no Brasil, é a atual Diretora de Inovação da Confederação Nacional da Indústria – CNI e responsável pela Coordenação Executiva da Mobilização Empresarial pela Inovação (MEI) e pelos temas de Políticas para Inovação e Gestão da Inovação, movimento de grande destaque no cenário político, econômico e industrial do país.

    Luiz Davidovich – Presidente da ABC

    Físico pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro e Doutor, em 1976, pela Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, é especializado em óptica quântica. Ganhador de vários prêmios ao longo de sua vida acadêmica, dispensa apresentações devido a sua carreira nacional e internacional, onde desde 2016 é o Presidente da Academia Brasileira de Ciências (ABC) e acumula hoje também o cargo de Secretário-Geral da Academia Mundial de Ciências até 2022.

    Celso Pansera ­– Ex-ministro de C,T&I – Mediador

    Professor, formado em Letras com pós-graduação em Administração Escolar. Foi deputado federal pelo PMDB-RJ e em 2015 assumiu como ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação. Liderou a formação da Iniciativa para a Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP.br), e é seu secretário Executivo. Atualmente também é diretor-presidente do Instituto de Ciência, Tecnologia e Inovação de Maricá (ICTIM).

    Quinta-feira – Dia 02/07 – às 18h30

  • Desafios da Infraestrutura de Pesquisa no Brasil 9/junho/2020

    A Associação dos Empregados da Finep – AFIN, promove o Ciclo AFIN Debates C,T&I para debater questões relevantes sobre Ciência Tecnologia e Inovação. A primeira edição trouxe na terça-feira, 02 de junho de 2020, às 18h30, o tema “Desafios da Infraestrutura de Pesquisa no Brasil” num debate online com a participação de Jailson Bittencourt – Pró-Reitor do SENAI-CIMATEC e Ildeu de Castro Moreira – Presidente da SBPC, e a mediação de Celso Pansera, ex-ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação.

    A colega Ana Rosado, diretora da AFIN, introduziu o assunto com uma apresentação sobre a importância das infraestruturas de pesquisa, que são um dos pilares fundamentais do desenvolvimento científico e tecnológico e da promoção da Inovação. Necessitam de considerável investimento, não só na fase de implementação, mas também na sua manutenção.

    Entretanto, o FNDCT, principal fonte de recursos desta infraestrutura, vem sofrendo forte contingenciamento e redução gradativa de seus recursos. Essa redução de investimentos no Sistema Nacional de Ciência, Tecnologia e Inovação, impacta negativamente a ampliação e manutenção das infraestruturas existentes, e também o desenvolvimento científico e tecnológico, incluindo a formação de recursos humanos altamente qualificados, comprometendo o desenvolvimento econômico e social de nosso país, e na resposta a situações de crise como a da pandemia de COVID-19.

    “A pesquisa não funciona se não tiver a infraestrutura adequada”

    Ildeu de Castro Moreira lembrou os entraves da burocracia na manutenção da infraestrutura, em especial dos grandes equipamentos. Ele destacou a importância das conexões internacionais entre os pesquisadores e a queda da participação da indústria no PIB: “um ponto a destacar é o poder de compra do Estado, o Brasil utiliza isso mau”. Disse que parte destas deficiências vem de um desmonte e contingenciamento dos recursos, que desvirtuam a finalidade do FNDCT. “Hoje o FNDCT tem 90% de seus recursos na reserva de contingência. As entidades científicas tem criticado isso fortemente”.

    “Recursos para Ciência é investimento, e isso a gente comprova. Como exemplo, um relatório mostra que para cada real que se investe na Embrapa você tem um retorno de 12 reais”, disse o presidente da SBPC, “quando se aplica recursos para Ciência e Tecnologia de uma maneira correta o retorno é muito ampliado. Precisamos de Políticas Publicas”.

    “Quando o FNDCT encolhe a Ciência Brasileira encolhe”

    Jailson Bittencourt apresentou a Estratégia Nacional de Ciência e Tecnologia 2016-2022, definidos na Conferência Nacional de C,T&I e em pleno vigor, e tem como objetivo o desenvolvimento social e econômico sustentável com a incorporação da C,T&I como Política de Estado. “Ciência e Tecnologia são com um vegetal: a Educação é a raiz, a Pesquisa Básica é o caule e a Inovação e a Tecnologia são as flores e os frutos”.

    Ele mostrou que o Brasil tem, a partir do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), uma presença nacional de infraestrutura, com relevância internacional e resultados importantes, mas lembrou “muitas pessoas estão se aposentando e a recomposição da inteligência não tem sido feita de maneira adequada”. Destacou a importância dos 104 Institutos Nacionais de Ciência e Tecnologia, que reúnem quase 2.000 instituições e 7.000 pesquisadores, mas o corte linear de 30% no orçamento da segunda fase deste projeto e mudanças na gestão comprometem seu futuro.

    O pesquisador lembrou que no passado o PADCT tinha um programa voltado para a manutenção dos equipamentos e que com o forte contingenciamento do FNDCT “faltam recursos, faltam bolsas, os laboratórios começam a perder capacidade de pesquisa e o Brasil assiste a fuga de cérebros”.

    Veja abaixo a íntegra do vídeo do debate.

    Mais informações na notícia AFIN Debates discute os desafios da infraestrutura de pesquisa.